O Frangó é um divisor na história da coxinha

Deixar o emprego para assistir um festival de jazz transformou a vida de Cássio Piccolo. Vinte e cinco anos após o episódio, o ex-músico não se arrepende. A demissão o conduziu ao Frangó, estabelecimento que ele ajudou a erguer e transformar em um dos bares mais tradicionais de São Paulo.

“Quando eu entrei ainda era uma rotisseria, um negócio minúsculo que meu pai e meu irmão estavam iniciando”, conta o empresário que, na época, não tinha noções de administração ou experiência no setor.

Inspirado em livros sobre marketing, gestão e na filosofia sofista, Piccolo passou a introduzir melhorias na pequena loja localizada na Freguesia do Ó, bairro da capital paulista. “Eu tentava descobrir de uma forma mais desapegada o que o cliente queria”, diz.

O trabalho de observação funcionou. Aos poucos o Frangó passou a oferecer petiscos e bebidas aos clientes que aguardavam de pé o até então único prato vendido na casa: frango grelhado. “As pessoas esperavam o pedido em qualquer lugar, até sentadas em caixa de cerveja. Vendo isso, começamos a vender coxinhas como um aperitivo de espera”, relembra.

O sucesso foi imediato. O fato dos salgados serem feitos e servidos na hora agradou a clientela. Ter um tamanho intermediário entre a coxinha tradicional e as servidas em festas também diminuiu a culpa que as pessoas sentiam ao comer a fritura. “A história da coxinha se divide em antes e depois do Frangó”, analisa o empresário. “Nós fizemos escola e hoje ela é conhecida em lugares que nem imaginamos”, conta.

O outro trunfo do bar são as cervejas. A carta de bebidas, a maior do Brasil, conta com cerca de 300 marcas. “No fim da década de 80 não tínhamos muitas opções. A expansão do mercado de cervejas era uma questão de tempo”, diz Piccolo.

O sucesso do Frangó desperta interesse em empresários e investidores dispostos a replicar o modelo. No entanto, abrir uma filial ou virar franquia não faz parte das metas do bar. “As pessoas reverenciam o Frangó e eu fico emocionado com isso. Mas a ideia não é ter vários bares e, sim, um que seja único no mundo”, finaliza.

:: Um acerto ::
O maior acerto do Frangó é também o carro chefe do bar: a coxinha. Ao optar por não deixar o salgado exposto em uma estufa, o estabelecimento ganhou a confiança dos clientes, que recebem o petisco fresco. O tamanho das unidades também agrada. “Conseguimos chegar no ideal e, assim, as pessoas não sentem culpa por comer fritura.”

:: Um erro ::
Incluir feijoada com samba na programação do Frangó não funcionou. O público de frequentadores começou a mudar e antigos clientes reclamaram. A experiência negativa serviu como aprendizado ao empresário Cássio Piccolo. “Aceitar que não deu certo é o melhor a fazer. Um erro não pode virar uma questão pessoal. Isso pode prejudicar um negócio”, diz.

:: Uma dica ::
Para iniciar um negócio você deve saber até onde quer chegar com ele. Estreitar o foco ajuda a não perder a direção do que você está fazendo e nem os rumos do empreendimento. “Falar tudo para todos é falar nada para ninguém”, reforça o empresário. O importante é definir metas e seguir um planejamento para não ser surpreendido.

Estadão PME – Informação – Casos de Sucesso

31 Agosto 2012
Por Roberta Cardoso

http://pme.estadao.com.br/noticias/casos-de-sucesso,conheca-o-frango–o-bar-que-mudou-a-historia-da-coxinha,2173,0.htm#noticia